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A violência tem interrompido histórias de mulheres em todo o Brasil – e esse é um problema de todos nós. Por isso, em 2026, precisamos eleger quem coloque as mulheres no centro das soluções e escolha agir

POR
TODAS
ELAS.

Se você não viveu na pele algum tipo de violência, provavelmente conhece alguma mulher que viveu. A violência contra as mulheres não é um assunto distante: está no noticiário, nas rodas de amigas, nas histórias que muitas de nós preferimos não contar.

 

Os números confirmam o que a vivência já mostra. Em 2025, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil – um número que aumenta a cada ano. E antes de chegar a esse ponto, a violência costuma passar por outros degraus: ameaças, agressões, perseguição, descumprimento de medidas de proteção. 

 

São números que dizem respeito a histórias reais, de mulheres cis, trans e travestis que vivem de Norte a Sul do Brasil, independentemente do que acreditam ou em quem votam.

 

Mas, mesmo sendo uma realidade que atravessa mulheres de todas as visões, o que fazer diante dela virou um tema em disputa. Ganham espaço propostas que prometem respostas rápidas: armar as mulheres para que se defendam sozinhas, ou apostar apenas em penas mais duras depois que a violência já aconteceu. São ideias que se apoiam em um medo real para parecer soluções eficazes, mas que deixam a raiz do problema intocada – e, na prática, transferem para a própria mulher o peso de se proteger.

 

Por isso, essa conversa não pode ficar na superfície. Estamos aqui para levar esse debate além do medo e da polarização – com informação, dados e propostas que coloquem as mulheres, e não os discursos fáceis, no centro.

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A Lei Maria da Penha vai muito além das medidas protetivas: ela reconhece seis tipos de violência doméstica – física, psicológica, sexual, patrimonial, moral e vicária – e prevê uma rede de serviços especializados, pensada para atuar também na prevenção.

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O problema é que boa parte dessa rede nunca saiu do papel. Faltam delegacias especializadas, faltam equipes, falta orçamento. E quando a lei não chega até quem precisa, cresce a ideia de que o problema é a lei em si — que ela "não funciona".

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Mas é o contrário: a Lei Maria da Penha é considerada uma das melhores leis de enfrentamento à violência doméstica do mundo, justamente porque nasceu de uma articulação intensa, sendo escrita a partir da experiência do movimento de mulheres brasileiras, não imposta de cima para baixo. O problema nunca foi o texto da lei, mas fazê-la funcionar na prática.

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Mesmo assim, entre junho de 2025 e junho de 2026, 89 propostas tentaram alterar a Lei Maria da Penha – e uma em cada quatro foi avaliada como desfavorável às mulheres.

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Talvez a pergunta certa não seja "precisamos de mais leis?", e sim: estamos cobrando que as leis que já temos sejam, de fato, cumpridas?

Somente 1 a cada 5
mulheres afirma conhecer
bem a Lei Maria da Penha.
Qual o problema nisso?

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Violência
Física

Qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde do corpo da mulher — socos, tapas, empurrões, estrangulamento, agressão que deixe ou não marcas visíveis. É a mais reconhecida socialmente, mas está longe de ser a única prevista na lei.

Violência
psicológica

Qualquer conduta que cause dano emocional, diminua a autoestima ou tente controlar as ações, crenças e decisões da mulher — por ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante ou perseguição. Não deixa marca visível no corpo, mas também é crime.

Violência
patrimonial

Reter, destruir, subtrair ou controlar objetos, documentos, bens, valores ou dinheiro da mulher — inclusive o que ela precisa para se manter. É uma forma de controle que, na prática, tira sua autonomia financeira e sua liberdade de decisão.

Violência
Sexual

Constranger a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual que ela não quer, por intimidação, ameaça, coação ou força. A lei também prevê como crime impedir o uso de método contraceptivo ou forçá-la a engravidar, abortar ou se prostituir.

Violência
Moral

Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria contra a mulher: acusá-la falsamente de algo, atacar sua reputação ou humilhá-la diante de outras pessoas. É usar a palavra como instrumento para desmoralizar e enfraquecer.

Violência
Vicária

Atingir a mulher por meio de quem ela ama — filhos, pais, dependentes ou pessoas da sua rede de apoio — para fazê-la sofrer. Incluída na lei em 2026, reconhece que usar terceiros como instrumento contra ela também é uma forma de violência.

Desvendando os mitos

Toque nos cards para desvendar

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“A maioria das denúncias é falsa” 

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O próprio Conselho Nacional de Justiça já afirmou não haver nenhum levantamento oficial que sustente essa ideia. São estatísticas inventadas, sem base científica. Os dados reais mostram o oposto: o problema é a subnotificação, não o excesso de denúncias. Estima-se que apenas entre 7,5% e 10% das vítimas de violência sexual no Brasil chegam a procurar a polícia — a grande maioria nunca denuncia, por medo do agressor, vergonha, dependência financeira ou a sensação de que a denúncia não vai levar a nada.

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Vale lembrar que fazer uma denúncia falsa já é crime — chamado de denunciação caluniosa, previsto no artigo 339 do Código Penal, com pena de até 8 anos de reclusão. O sistema já prevê e pune quem usa a lei de má-fé. O problema real segue sendo o inverso: a maioria das mulheres em situação de violência nunca chega a denunciar.

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"Homem só bate quando bebe ou tem algum problema mental."

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Reduzir a violência a uma explicação médica trata a agressão como exceção de um indivíduo "doente", quando na verdade ela costuma seguir um padrão social reconhecível. Trata-se de um roteiro aprendido, reforçado por normas sociais que associam valor masculino à força e à capacidade de dominar.

 

Patologizar a violência tem um efeito perverso: sugere que o problema está "na cabeça" de um homem específico, e não em um padrão cultural mais amplo — o que dificulta enxergar a prevenção real. Se a raiz fosse médica, a resposta estaria em tratamento clínico individual; sendo cultural, a resposta passa por educação, responsabilização e transformação das normas que ensinam meninos, desde cedo, que controlar uma mulher é sinal de força. Reconhecer essa dimensão estrutural não retira a responsabilidade de quem agride,  só deixa claro onde a mudança precisa acontecer.

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"Se ela não termina, é porque gosta de apanhar.”

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Ninguém fica em uma relação violenta porque gosta. Fica porque sair é, na prática, muito mais difícil e perigoso do que parece de fora. Dependência financeira, medo do que o agressor pode fazer, filhos em comum e o controle que muitos agressores exercem sobre a rotina, os contatos e até o dinheiro da vítima formam uma teia que não se rompe da noite para o dia. Some a isso a vergonha e a esperança de que "dessa vez ele muda", sentimentos comuns em qualquer ciclo de violência, e não sinal de que a mulher aceita ser agredida.

 

Além disso, sair nem sempre é o momento mais seguro. O risco de feminicídio segue alto durante anos de relacionamento e também em processos de separação, justamente quando o agressor sente que está perdendo o controle. Cobrar da mulher "por que ela não foi embora antes" ignora essa realidade e coloca o peso da violência em quem a sofre, não em quem a pratica.

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“Homens também morrem muito.” 

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É verdade, e é um problema real que merece atenção séria. Mas os dois fenômenos são diferentes, e um não anula a gravidade do outro. A violência letal que atinge homens costuma acontecer fora de casa, ligada a disputas urbanas, mercados ilícitos e confrontos entre desconhecidos. Já a violência que mata mulheres segue outro padrão: acontece majoritariamente dentro de casa, cometida por parceiro ou ex-parceiro, depois de um histórico de ameaças, controle e agressões. São contextos diferentes, mas compartilham uma raiz comum: a forma como muitos meninos são socializados desde cedo, aprendendo que força, domínio e disposição para o confronto são o que definem valor e respeito entre homens, seja na rua, seja dentro de casa.

 

Reconhecer essa raiz compartilhada é entender que enfrentar a violência letal no Brasil, em qualquer uma de suas formas, passa por repensar essa educação que ensina meninos a resolver conflitos e afirmar masculinidade pela força. 

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"Castração química é a solução para a violência sexual."

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Apesar do nome, "castração química" não é uma castração de verdade. É uma terapia hormonal reversível, com aplicação de medicamentos que reduzem a produção de testosterona, diminuindo o desejo sexual. O termo "castração" é uma escolha estratégica, não técnica: ele evoca uma punição física drástica e definitiva, o que soa mais duro e satisfatório ao público do que "inibidor hormonal de libido", nome mais preciso do procedimento. Isso ajuda a vender a medida como solução forte, mesmo sem evidência sólida de que reduz a reincidência de forma consistente.

 

O estupro, na maioria dos casos, está ligado a uma questão de poder e controle, não a impulso biológico. Além disso, é mais uma medida que se soma a um sistema que já é fortemente punitivista, sem resolver o problema pela raiz: ela pune quem já cometeu o crime, mas não previne novos casos nem oferece resposta sistêmica. 

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“Chamar de 'feminicídio' é só um rótulo político”

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Os dados mostram o contrário: a classificação revela um padrão que ficaria invisível se todas as mortes de mulheres fossem tratadas apenas como "homicídio". Em 2025, o Brasil teve 3.539 homicídios de mulheres. Enquanto as mortes sem motivação de gênero vêm caindo ano após ano, acompanhando a queda geral da violência letal no país, os feminicídios continuam subindo. Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil morreram por serem mulheres, a maior proporção desde que o crime passou a ser registrado separadamente, em 2015.

 

Sem essa tipificação específica, esse padrão simplesmente desapareceria dentro da estatística geral de homicídios, e o país comemoraria a queda da violência contra mulheres bem no momento em que ela está mais alarmante.

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“Mulheres precisam de armas para se defender.”  

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O perigo não vem de um estranho na rua, mas de dentro de casa: quase 80% dos feminicídios são cometidos por companheiro ou ex-companheiro. Além disso, a presença de arma de fogo em casa aumenta em 85% a chance de feminicídio. 

 

O principal risco que uma mulher enfrenta já está dentro de casa, com alguém do seu convívio. Uma arma de fogo nesse contexto não só não neutraliza esse risco como pode até aumentá-lo, já que a mesma arma guardada em casa pode ser usada contra a própria mulher em um momento de explosão do agressor.

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"É mais seguro em casa do que na rua."

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Essa crença sustenta uma lógica perigosa: a de que se a mulher "se preservar" (evitar sair tarde, se vestir de forma discreta, evitar certos lugares), ela estará protegida. Mas os dados mostram o oposto do que essa lógica assume: mais da metade dos feminicídios no Brasil acontece dentro da própria residência da vítima, cometidos por alguém que ela conhece e, na maioria dos casos, amou. 

 

Cobrar da mulher que se "previna" com esse tipo de cuidado é, na prática, apontar para o lugar errado, e ainda joga sobre a vítima uma culpa pelo que ela sofreu.

Não queremos mais violência.
Queremos políticas que funcionem.

Perguntamos diretamente às mulheres em situação de violência atendidas pelo Mapa do Acolhimento o que elas vivem quando buscam ajuda e o que esperam de quem promete cuidar da segurança das mulheres a partir de 2027:

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85% das mulheres sentem
que a segurança das mulheres
não está sendo levada a sério
pelas candidaturas de 2026.
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"Me senti a culpada, não a vítima."
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Mais da metade aponta agilidade
na Justiça como a prioridade nº1
para melhoria dos serviços.
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"Sinto que eles preferem investigar
um feminicídio, que uma ameaça."
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3 a cada 10 relatam que faltou
informação clara sobre seus
direitos ao buscar ajuda.
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"A DEAM deveria ser composta
por mulheres preparadas e não
por homens que nos deixam
constrangidas."

As medidas de prevenção prioritárias na visão das sobreviventes

Atendimento qualificado na rede pública para impedir que

a violência chegue a formas mais graves, como o feminicídio

48%

Educação sobre respeito às mulheres

e relacionamento saudáveis desde a escola

42%

Autonomia financeira e trabalho para mulheres

42%

Capacitação de policiais, profissionais de saúde

e da educação para identificar e agir cedo

36%

Campanhas que ensinam a reconhecer

sinais de violência antes que aumente

32%

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O que é uma candidatura
comprometida com a vida
das mulheres?

Uma coisa é certa: precisamos de mais mulheres na política, em toda a sua diversidade: negras, trans, travestis, indígenas, periféricas, de diferentes gerações. Mas esse é só o primeiro passo. Existe uma diferença entre representação e compromisso, e essa diferença é o que decide se uma candidatura vai mudar alguma coisa na sua vida ou só na foto de campanha.

  • Defender a Lei Maria da Penha é entender sua importância e fazer com que sua implementação seja reforçada. Isso significa orçamento para serviços especializados e equipe treinada para atender mulheres em situação de violência de maneira humanizada e sem revitimização. 

  • A violência não atinge todas as mulheres do mesmo jeito. Mulheres negras são 65% das vítimas de feminicídio no Brasil, e o risco de violência letal chega a variar quatro vezes entre estados diferentes. Uma candidatura comprometida enxerga essas desigualdades de raça e território, em vez de tratar o problema como se fosse igual para todas as mulheres brasileiras.

  • Proteger não é só punir depois que a violência já aconteceu. É investir em prevenção, educação, informação, rede de apoio comunitário e serviços especializados. E é garantir acolhimento de verdade, sem julgamento, para quem já viveu essa experiência e precisa de caminhos para recomeçar e impedir que essa violência se agrave.

  • Palavras de campanha custam pouco. Quem já ocupou um cargo tem histórico concreto: como votou, o que propôs, o que fez com o poder que teve nas mãos. Para candidaturas de primeira vez, vale olhar a trajetória fora da política institucional: o que já defendeu, construiu e sustentou antes de pedir seu voto agora.

  • "Vou lutar pelas mulheres" não é proposta. O nível de detalhe esperado muda conforme o cargo, mas em qualquer um deles dá para cobrar quais medidas serão defendidas e como serão viabilizadas. Vale observar também que tipo de solução essa pessoa enxerga: coloca a mulher em situação de violência no centro da resposta, com cuidado e prevenção, ou aposta só em medidas punitivistas? 

Caixa de
ferramentas

Entender o problema é o primeiro passo. O próximo é agir, seja puxando uma conversa dentro de casa, circulando informações no grupo de zap dos amigos ou organizando um encontro na sua comunidade. Aqui, disponibilizamos recursos práticos para você que quer mobilizar suas redes pela vida das mulheres nessas Eleições.

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